Eu estava em frente à Cinemateca e o céu era aquele azul profundo do fim da tarde. Um jazz com bandoneón, tangueado, lindo de morrer e todas as caras eram desconhecidas, menos a da Vero que estava do meu lado, mas em pé porque ela se recusa a ver um show sentada. Admiro sua devoção à música, mas meu corpo preguiçoso busca sempre um chão. Deve haver uma explicação fengshuística para isso. Equilíbrio de elementos, sei lá.
E aquele jazz al aire libre era também pra comemorar que encontramos um lar! E uma sensação que se confirma de que estou onde eu quero estar, ainda que pudesse estar igualmente bem em outros lugares. Se não fosse assim eu não seria geminiana, do ar, e não precisaria sempre sentar no chão.
E foi justamente a visão do chão de madeira amplo com a árvore enquadrada na janela que fez a gente querer morar ali na hora. E tenho certeza de que seremos felizes no nosso novo lar.
E como na minha vida eu costumo planejar as coisas tortas e elas saem retas, matriculamos o Santiago no colégio alemão. Eu, que queria ele numa escola alternativa, fazendo yoga e meditação, tive que me render ao fato de que o que eu considero ser uma boa escola, não necessariamente é uma boa escola PARA ele.
Fiquei dois dias super triste porque é uma ironia eu morar em Montevideo e o Santi não ir à escola que eu acho incrível, que sempre tive como modelo, porque eu sou da era de aquário, nunca escondi isso de ninguém. Mas, filhos são grandes mestres. E me lembrei que me prometi que tentaria aprender com o que me pareceu ser a lição do meu parto: que o que eu acho que é o melhor pra ele nem sempre será assim. E tento manter-me aberta a isso, como um mantra diário. É muito difícil desapegar de determinadas coisas, idéias, mas…wim wenders e aprendenders.
Pouco a pouco começo a me familiarizar com o mapa da cidade que vai se compondo mentalmente. É muito bom estar descobrindo essa cidade sem nenhuma pressa.
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