El cobrador

Eu já disse que aqui no Uruguay existe essa figura do cobrador, né? A dinâmica é bem simples, de uma tecnologia ancestral eu diria. El cobrador passa e deixa um papel embaixo da porta avisando os dias em que passará para cobrar o condomínio. Ele passa dois dias, dando mais oportunidade de vc não ser pego de surpresa (ops). El cobrador passou na segunda e eu não tinha o dinheiro para pagar. Disse que passaria na quarta. Combinado. Na noite anterior acabei não me animando a sair diante do frio monstro, então não pude tirar o dinheiro do caixa eletrônico. Coloquei o alarme para me lembrar de sair de manhã e ir tirar dinheiro antes que el cobrador chegasse. Sonhei que o cobrador passava e eu não tinha o dinheiro. Comentei com minha cara metade. Rimos. Achamos que a lei de Murphy faria com que el cobrador passasse justamente quando eu estava fora. Ensaiamos uma desculpa. Talvez ele pudesse oferecer um cházinho ao cobrador enquanto eu voltava com a grana. Ele respirou aliviado quando eu cheguei. Tudo certo. E esquecemos a sombra do cobrador. E há coisas muito mais interessantes para se fazer em uma manhã fria quando você está bem acompanhada, se é que me entendem.

E enquanto explorávamos estas coisas interessantes que as manhãs frias oferecem quando se está bem acompanhada a campainha toca. Um salto de susto. Um segundo de pausa dramática e em uníssono: el cobrador!

E lá fui eu, com aquela cara de quem tem coisas mais importantes para fazer numa manhã fria quando se está bem acompanhada e saldei minha dívida com el cobrador.

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