Eu tenho que confessar que acabei de me sentir culpada quando entrei neste blog e vi havia tido visitas nos últimos dias, semanas. Quando eu mesma não dei as caras, muito menos escrevi.
Eu, enquanto geminana (amadurecida, mas sempre geminiana), sabia que ter esse blog sem um foco específico podia dar nisso: dispersão, inconstância, inconclusão. Eu tentei até fazer uma coisa meio anônima (ha ha ha), mas tenho um sério problema com a ficção totalmente fantasiosa. Não consigo.
E pensei que, de certa forma, eu sempre termino falando sobre relações. Juro que até pensei em abrir um blog de consultório emocional. Podem rir, mas é que eu acho, modestia à parte, que sou boa conselheira. A gente sabe que se conselho fosse bom se vendia. Mas pera aí! Por que vocês acham que Paulo Coelho e seus genéricos estão cheios da grana? Com todo respeito ao imortal-ex-porraloca.
No meio destas divagações me lembrei também que a alegria e a felicididade em geral são muito pouco inspiradoras para escrever. Olho as minhas mensagens de texto no celular e realmente é algo muito inspirador para a vida, mas pouco para a literatura (ainda que pseudo, sub, descompromissada). E não é à toa que na literatura e no cinema em geral a gente vê tudo que vem antes do “viver felizes para sempre”. Claro que essa idéia de conto de fadas + comercial de margarina não existe realmente, mas em geral a felicidade é algo que se persegue ou se vive. Escrever sobre ela é meio entendiante. Eu sempre digo que prefiro ter uma vida maravilhosa e uma obra medíocre do que ser uma gênia angustiada.
E o fato é que ando muito feliz. Às vezes tenho medo de que se termine, de sofrer um golpe do destino, que meu amor saia para comprar cigarros e não volte e uma série infindável de pequenas neuras mais ou menos criativas. Fora isso, tudo na mais perfeita desordem, mas com a alma tranquila.
E tenho pensado muito em uma frase que ando dizendo a quem vem me pedir conselho: outro mundo é possível.
Isso quer dizer o seguinte: é possível ter uma relação saudável e madura. É possível conviver com uma pessoa que é diferente de você, mas afim nas coisas realmente importantes. É possível sentir tranquilidade sem tédio. É possível estar com uma pessoa que você admira e que te admira e que ambos se ajudem, acompanhem e não se anulem. É possível ser sincero sem ferir. É possível se adaptar à convivência sem fazer concessões que vão te matando pouco a pouco por dentro. É possível construir uma relação na base do companheirismo e amor, com respeito e sem brigas. É possível aprender e ensinar sem perder os projetos pessoais. É possível encontrar uma pessoa perfeita para você e viver uma relação que você já não acreditava que podia viver. Sei que perfeito soa pesado, mas uso essa palavra porque é a mais próxima da idéia que quero passar. É isso aí! Eu sei que outro mundo é possível. Sei que só reconheço isso porque vivi 33 anos de busca, erros, acertos, dores, alegrias, surpresas, decepções e, sobretudo, inconformismo, porque acho que no fundo eu sabia que outro mundo era possível. Não sei se no mundo realmente, mas nas relações, sim.
Devia ser proibido você ficar tanto tempo sem escrever!
E abra o consultório online que estaremos lá.
Concordo, ‘é possível ter uma relação saudável e madura’ … mas é um esforço e um aprendizado, uma construção e um achado. E vale a pena, muito.